Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
Os kantianos nos pedirão a prova da existência dessa forma de conhecimento (Gnose); mas há aqui um primeiro erro, ou seja, não passa de um conhecimento que podemos provar de facto. O segundo erro, que aparece em seguida, é o de que uma realidade que não podemos provar — isto é, que não podemos tornar acessível a uma determinada necessidade de causalidade artificial e ignorante que essa realidade, visto que parece carecer de prova, não existe e não pode existir. O racionalismo integral carece tanto de objetividade intelectual quanto de imparcialidade moral. Mas voltemos à nossa distinção entre o conhecimento indireto, racional e mental, e o conhecimento direto, intelectual e pelo coração. Além dessas duas formas há uma terceira: o conhecimento da fé. Mas a fé equivale a um conhecimento objetivado pelo coração; o que o coração microcósmico não nos diz, o coração macrocósmico — o Logos — nos diz em linguagem simbólica e parcial, por dois motivos: para nos informar sobre aquilo de que nossa alma tem urgente necessidade e para despertar em nós, na medida do possível, a lembrança das verdades inatas.
Se existe um conhecimento intrinsecamente direto mas extrinsecamente objetivado quanto à sua comunicação, deve haver nele, correlativamente, um conhecimento indireto em si, contudo subjetivo quanto ao seu processo, e trata-se do discernimento das coisas objetivas a partir dos seus equivalentes subjetivos, visto que a realidade é una. Pois não há nada no macrocosmo que não derive do metacosmo e que não seja reencontrado no microcosmo.
O conhecimento direto e interior, o do Coração-Intelecto, é o que os gregos denominavam gnose; a palavra, "esoterismo" — segundo sua etimologia — designa a gnose, na medida em que está de facto subjacente às doutrinas religiosas, portanto dogmáticas.